
Impacto Social
Março 30, 2026
Experiência no Terceiro Setor
Abril 12, 2026O Terceiro Setor em Portugal: Dimensão, Desafios e Oportunidades
Antes de ser consultora de Capital Humano, trabalhei em ONG, nas Nações Unidas e na área de RSC de empresas. Foi aí que percebi o impacto transformador que o Terceiro Setor pode ter, e de como esse impacto é, em Portugal, ainda demasiado frágil e quase invisível.
Que dimensão tem o Terceiro Setor em Portugal?
Os dados são eloquentes. Em 2020, o setor da economia social em Portugal contava com cerca de 73 600 entidades (associações, cooperativas, IPSS, fundações), que em conjunto:
- Geravam um valor acrescentado bruto equivalente a 3,2% do PIB
- Representavam 5% dos salários e 5,9% do emprego remunerado
- Correspondiam a cerca de 243 000 postos de trabalho a tempo inteiro
- Estima-se que cerca de 1,1 milhão de pessoas coletivas e 20,5 milhões de associados estivessem ligados ao setor (o que significa que, em média, cada português pertencia a pelo menos duas entidades do 3º setor)
É um gigante. Silencioso, mas gigante.
Quais são os principais desafios?
A dimensão não resolve as fragilidades estruturais. São conhecidas, repetidas e raramente abordadas com a merecida honestidade:
Financiamento instável. Mais de 70% das receitas têm origem em donativos pontuais, serviços prestados ou empréstimos. Apenas cerca de 5,5% do setor acede efetivamente a fundos comunitários. O restante depende de fontes voláteis e imprevisíveis. Para uma análise mais aprofundada deste tema, vale ler o artigo sobre financiamento do Terceiro Setor.
Remunerações frágeis. Um terço das entidades pratica políticas de remuneração não discriminatórias, mas com valores muito abaixo do mercado. Resultado: fuga de talento, instabilidade de equipas, perda de memória institucional.
Burocracia pesada. Os processos de candidatura a fundos públicos ou comunitários consomem recursos escassos e desviam equipas do trabalho com impacto real. Uma organização com três pessoas a tempo inteiro não tem capacidade para gerir concursos que exigem uma equipa a tempo inteiro.
Sub-representação. Os profissionais do Terceiro Setor raramente estão nas mesas de decisão pública ou corporativa. Perde-se sistematicamente a oportunidade de construir colaborações estruturadas entre setores.
E se pensássemos de forma diferente?
O Terceiro Setor não precisa de pena. Precisa de parceiros estratégicos.
Conceber o Terceiro Setor não como "caridade" mas como parceira de desenvolvimento social e económico. Promover parcerias de longo prazo orientadas para soluções à medida, e não a volatilidade de donativos pontuais. Integrar profissionais do setor em fóruns de liderança. Simplificar o acesso a fundos.
Quando uma empresa investe em impacto social com estrutura e métricas (e não apenas com um cheque de fim de ano), o resultado é diferente para todos. Para perceber como este alinhamento funciona na prática, lê o nosso artigo sobre impacto social estratégico em Portugal.
O que revela o estudo mais recente sobre o estado das ONG no país? O diagnóstico das ONG em Portugal da Universidade Católica dá uma resposta desconfortável, mas necessária.
O que pode mudar?
A pergunta não é se o Terceiro Setor precisa de evolução. É quem vai ajudá-lo a evoluir.
As empresas têm recursos, competências técnicas e acesso a decisores e investidores. As organizações têm presença no terreno, conhecimento das comunidades e legitimidade social. O que falta, na maioria dos casos, é o elo de ligação que transforme a intenção numa parceria estruturada.
É essa a razão de existir do CONECTA. Se a tua empresa quer desenvolver impacto social com método e acompanhamento de indicadores de impacto, fala connosco.
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