
Os Dilemas da Ajuda Humanitária
Abril 12, 2026
O Diagnóstico das ONG em Portugal
Abril 12, 20263º Setor, um Gigante Adormecido…
Quem o Vai Acordar?”
Foi no 3º Setor onde vivi os momentos mais felizes da minha carreira!
Quem me segue sabe que os meus posts diários são sobretudo sobre Gestão Estratégica de Capital Humano. Mas, às vezes, sou inconsistente e lá estou eu a escrever sobre Impacto Social. Como tudo está ligado entre si – Sociedade, Empresas e Organizações do 3º Setor, esta inconsistência é necessária!
Hoje, falo de onde venho. Antes de ser Executiva e Consultora de Capital Humano, trabalhei em ONG, nas Nações Unidas e na área de Responsabilidade Social Corporativa de empresas. Foi aí que descobri o impacto transformador que o terceiro setor pode ter na nossa sociedade e no mundo.
Infelizmente, em Portugal, esse impacto ainda é demasiado frágil e invisível. Em 2020, o setor da economia social contava com cerca de 73 600 entidades (associações, cooperativas, IPSS, fundações) e gerava um valor acrescentado bruto de 3,2 % do PIB, 5 % dos salários e 5,9 % do emprego remunerado (≈ 243 000 postos de trabalho a tempo inteiro). Na família mais alargada da economia social estima-se que estiveram envolvidos, nos últimos anos e de forma regular, cerca de 1,1 milhão de pessoas coletivas e cerca de 20,5 milhões de associados (o que representa que, em média, cada português estava ligado a pelo menos duas entidades do terceiro setor)
A nível nacional, a economia social representa cerca de 6 % do emprego a tempo inteiro e contribui com cerca de 3–3,2 % do VAB.
No entanto, este é um setor pleno de fragilidades e desafios:
- Financiamento instável – Mais de 70 % das receitas deste setor têm origem em donativos, serviços prestados ou empréstimos, e apenas cerca de 5,5 % do setor acede efetivamente a fundos comunitários
- Remunerações frágeis – Um terço destas entidades pratica políticas de remuneração não discriminatórias, mas com remunerações que estão muito aquém do mercado em Portugal
- Burocracia pesada – Os longos e burocráticos processos de candidatura a fundos públicos ou comunitários consomem recursos, e desviam as equipas do trabalho com impacto real.
- Sub-representação – Os profissionais do terceiro setor raramente estão nas mesas de decisão pública ou corporativa, perdendo-se oportunidades de colaboração estruturada e estratégica entre sectores.
💡 E se pensássemos e agíssemos de forma diferente? Conceber o terceiro setor não como “Caridade”, mas como parceira estratégica de desenvolvimento social e económica. Promover parcerias de longo prazo com de soluções e não apenas oferecendo donativos pontuais. Integrar profissionais do terceiro setor em fóruns de liderança, onde possam partilhar práticas de inovação social. Simplificar o acesso a fundos, reduzindo a carga administrativa e acelerando decisões.
Hoje não escrevo como consultora. Hoje escrevo como alguém que viveu este universo, que viu com o que conta para fazer a diferença, e que continua a acreditar que o verdadeiro impacto se mede nos resultados que transformam vidas, não nos likes.
🗣️E tu, o que pensas sobre o terceiro setor? Trabalhas (ou já trabalhaste) no terceiro setor? Qual foi a maior lição ou dificuldade que tiveste? Como empresa, que tipo de parcerias / ações acreditas que poderiam ser eficazes e sustentáveis para dinamizar este setor em Portugal?
#TerceiroSetor #EconomiaSocial #ImpactoSocial #ResponsabilidadeSocial #ONG #Portugal #LiderançaComPropósito #RHComImpacto




