
Experiência no Terceiro Setor
Abril 12, 2026
Financiamento do Terceiro Setor
Abril 12, 2026Diagnóstico das ONG em Portugal: O que Revelam os Dados da Universidade Católica
Nas últimas semanas mergulhei no relatório "Diagnóstico das ONG em Portugal 2015–2024", elaborado pela Universidade Católica Portuguesa. Para quem trabalha neste setor, ou quer percebê-lo a sério, é leitura obrigatória, ainda que desconfortável.
O retrato que emerge não é de um setor em colapso. É de um setor com impacto real, construído sobre alicerces frágeis. Um setor que cresceu sem que as estruturas que o suportam tivessem crescido na mesma proporção.
O que são as ONG em Portugal?
O conceito de ONG (Organização Não Governamental) em Portugal abrange uma diversidade enorme: associações de base comunitária, organizações de cooperação para o desenvolvimento, entidades de ajuda humanitária, plataformas de advocacia de direitos. Têm em comum a natureza não lucrativa, a independência do Estado e o foco no interesse público.
O que as distingue (para o bem e para o mal) é a dimensão, a capacidade e a profissionalização.
O que dizem os dados?
O relatório da Universidade Católica Portuguesa revela padrões, que quem está dentro do setor reconhece de imediato:
Missão clara, gestão frágil. A maioria das organizações tem clareza sobre o seu propósito. A dificuldade está na gestão (financeira, de recursos humanos, de comunicação). As competências de missão raramente coincidem com as competências de gestão.
Financiamento concentrado e instável. A dependência do financiamento público (estatal e europeu) é estrutural. Cria organizações excelentes a escrever candidaturas a fundos e frágeis em tudo o resto. Para perceber a dimensão deste problema, lê o artigo sobre financiamento do Terceiro Setor em Portugal.
Presença digital que não comunica. A maioria das organizações tem website e redes sociais. Mas a presença digital serve como um cartão de visita estático, não como uma ferramenta de captação de recursos ou de construção de autoridade.
Recursos humanos como ponto crítico. Os salários abaixo do mercado criam rotatividade. A rotatividade destrói a memória institucional. A perda de memória institucional obriga a reinventar o que já foi aprendido. Um ciclo que consome tempo e dinheiro, que o setor não tem.
Impacto medido de forma inconsistente. Muitas organizações fazem um trabalho extraordinário no terreno mas têm dificuldade em traduzi-lo em indicadores claros. Sem dados de impacto estruturados, a comunicação com financiadores corporativos torna-se mais difícil.
O que isto significa para as empresas?
Para uma empresa que quer desenvolver impacto social com seriedade, a identificação e o diagnóstico da ONG certa tem implicações práticas:
- Não basta escolher uma causa. É preciso escolher organizações com capacidade de execução e accountability
- As parcerias precisam de incluir apoio à gestão e ao reporting, não apenas financiamento
- O acompanhamento contínuo não é desconfiança. É profissionalismo de ambos os lados
É precisamente por isso que o CONECTA trabalha com curadoria de organizações parceiras, não apenas como uma ligação de contatos e de potenciais parceiros. A diferença entre uma parceria que resulta e uma que se esgota ao fim de um ano está, muitas vezes, na qualidade da mediação. Percebe como funcionamos no CONECTA.
O que muda quando a identificação de parceiros e o diagnóstico são honestos?
Construímos intervenções mais inteligentes.
Um setor que conhece as suas fragilidades pode trabalhar para as resolver. Uma empresa que conhece as fragilidades do setor pode estruturar parcerias que ajudam a resolvê-las, e não parcerias que as ignoram ou as agravam.
O Terceiro Setor em Portugal tem dimensão, presença territorial e legitimidade social suficientes para ser um parceiro estratégico de desenvolvimento económico. O que precisa é de estrutura, profissionalização e parcerias construídas com método.
Para perceber como as empresas e organizações podem criar valor real juntas, lê o nosso artigo sobre impacto social estratégico.
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